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Sexta-feira, Maio 26, 2006
Sangue!
Hoje eu quero falar sobre menstruação. As mulheres precisam menstruar. Ao contrário do que prega Elsimar Coutinho (de que as mulheres não devem menstruar, mas ficar grávidas eternamente), a menstruação é reguladora das forças cíclicas da mulher.
Ora, todas sabemos - e talvez alguns saibam - que vivemos ciclos. A mulher tem os seus, como a Lua. Como a Lua, ela tem seus momentos de cheia, minguante, nova e crescente - por isso elas se combinam tanto. As mulheres costumam ter forte associação com a Lua. Pelo menos as que conheço.
Não somos esotéricas, longe disso. No máximo um horóscopo como distração de vez em quando. Quando tomamos anticoncepcional, ele meio que bagunça - no início - nossos ciclos. Nossa 'lua' fica desnorteada e vai procurando um novo ritmo aos poucos, com as doses. Existem anticoncepcionais que impedem, travam a menstruação feminina. Tenho medo desses.
A coisa é simples: o natural é menstruar. Quando a mulher menstrua, ela se livra da ovulação infecunda e se prepara para um outro ciclo. Quando a mulher não menstrua, parece que fica à espera de qualquer coisa.
Eu não sei... cientificamente não estudei nada sobre isso, apenas acho que deva ser assim. Comigo funciona desse jeito. Talvez.
tati
10:47 PM
Diz:
Quarta-feira, Abril 26, 2006
Já que pouco aqui se escreve, aí vai um texto recém-descoberto que andava por aí meio perdido...
À Janela
Olhando o carro dele partir, pela janela de seu apartamento, ela agora pensava sobre o amor. Melhor: questionava-se, como era de seu feitio fazer. Lembrava, porém, de uma conversa que tivera meses antes com umas amigas. Na época, a discussão teria parecido mais uma entre as tantas questões femininas que costumavam tratar, sempre de uma lógica tão pessoal quanto incorporada. Agora, pensando bem, ela se dera conta de que muito pouco sabia do que tanto falava ou defendia. Isso lhe causou um súbito estranhamento de si mesma. Sempre parecendo muito segura de si, sabia no fundo que não passava de uma daquelas edificações de fachada suntuosa, construída a fim de esconder um interior menor do que o previsto. Agora, revendo tudo isso, ficara desconcertada. E o pior: perante ela mesma, ninguém mais.
De volta ao café, naquela tarde fria de julho, ela sentada olhava de frente para as três amigas que lhe acompanhavam numa torta de funghi com tomates cereja. As conversas sempre pareciam mais interessantes quando regadas a uma boa bebida ou recheadas por uma boa comida. De qualquer forma, o assunto em pauta era o caso que uma delas estava mantendo com um rapaz; extra-conjugal, é claro. Estava casada há dois anos apenas, isso é fato. Mas lhe agradava a desculpa de que ele havia sido seu primeiro namorado, o único homem que tivera em toda a sua vida. De repente, o conto de fadas parecia ter se transformado num conto contemporâneo qualquer, onde o que antes parecia belo e imaculado hoje era motivo para umas boas risadas, uma pulada de cerca e alguns comentários duvidosos. Era quase necessário pedir desculpas por casar com o primeiro cara por quem se apaixonara. E ficava sempre aquela dúvida no ar... será? A sensação era como se houvesse jogado a sorte sem saber ao certo se o bilhete que tinha em mãos era mesmo o premiado. Nunca conferira por achar tão cegamente que não era preciso. Agora ficava a dúvida. E se... [esse era o pior pensamento que podia vir à mente].
De qualquer forma, as quatro reunidas tentavam achar soluções menos dolorosas para suas vidas pungidas em sentimentos tão contraditórios. Uma contestava que a amiga casada estava cometendo um erro terrível, a outra dizia que não via tanto problema desde que lhe servisse para alguma coisa, como melhorar a relação ou lhe fazer enxergar algo que evita. Nossa personagem principal, no entanto, não sabia ao certo onde se posicionar entre essas duas trincheiras. Decidiu-se, por fim, que não seria capaz de julgar o que a outra sentia e preferiu ficar quieta. Foi então que surgiu o amor como pauta da conversa. Era interessante como, para cada uma, um mesmo sentimento podia soar tão diferente. Para uma, o amor tinha ficado pra trás há muito tempo nos olhos perdidos daquele garoto - vez ou outra ela ainda vislumbrava fagulhas daquele sentimento ao longe mas sabia não poder tê-lo de volta. Para a outra, o amor era algo quase inatingível, romântico por demais, por isso preferível não tentar conquistá-lo. Para a terceira era a convivência diária que tinha em casa, mesmo que não fosse pleno.
Para ela, então, era aquilo que se encontrava nas entrelinhas, entre uma palavra e outra, entre gestos, olhares, mas, principalmente, o amor poderia ser pensado naquilo que não era dado nem exposto. Foi aí que percebeu, ao se dar conta que ainda olhava pela janela de seu apartamento uma rua vazia e um carro que não estava mais lá. Notou que, para ela, aquilo que chamavam relacionamento sempre havia sido mais que um jogo ou uma disputa. Aí estava seu erro. Numa competição qualquer para ver quem chegava primeiro [aonde quer que fosse], ela havia sabotado a si mesma. Esqueceu de si. De buscar um pouco mais além. Esqueceu-se das estratégias do início do jogo. Agora é tarde, pensou, afastando o olhar daquela janela por onde o amor tinha lhe escapado. Suas expectativas mais uma vez haviam sido frustradas. Mas por quem mais, senão ela mesma? Tinha por certo que daí em diante a disputa seria travada consigo própria [e que viessem as batalhas!]. Decidira há tempos que não queria ser tal qual a amiga cujo bilhete em mãos não havia sido conferido e, portanto, não sabia se era mesmo o premiado. Sua meta era maior. E, naquele breve instante de lucidez, qualquer alvo poderia ser alcançado.
Luisa
11:17 AM
Diz:
Quinta-feira, Março 30, 2006
24h
acordar. bocejo. café. trânsito. trabalho. escrever. texto. café. papo. internet. almoço. 30 minutos. rápido. trabalho. bocejo. internet. sono. texto. café. papo. música. msn. msn. trabalho. correria. noite. trânsito. caos. casa. sofá. abraço. televisão. filme. fome. capuccino. pão. geléia geral. música. livro. pés. mãos. boca. bocejo.
"For the next 24 hours, I'm yours, handle well these hours"*
olho aberto. sono. café. revista. música. você. sofá. nada pra fazer. almoço. eu e você. tempo de sobra. passeio. tarde. sorvete. cinema. você. rede. céu. estrela e lua. livro. café. papo. dvd. música. eu e você. e o resto da noite.
*[24 Hours - The Sounds]
Luisa
3:01 PM
Diz:
Quarta-feira, Março 15, 2006
Hoje estou a fim de me divertir, ela disse pra amiga. Eu também, a amiga disse. E saíram. Havia tempo que não se divertiam como nessa noite.
Foram numa boate. Dançaram além da conta, beijaram além da conta, beberam além da conta. Que conta é essa? O que importa é que a diversão valeu tanto que elas vão repetir a dose.
E, quando a porta da boate abrir e o sol aparecer, ao invés de irem pra casa, vão é dar um mergulho no mar. Isso será lindo. E merecedor.
* * * * *
Eu fico aqui me perguntando... me disseram assim, (ou quase assim...) que eu sou uma pessoa (ixe...esqueci a frase, foi tão bacana...memória ruim, humpf). Enfim, falava que eu tinha essa coisa da sensualidade, do sexo, muito natural. Mas o sexo é natural, né não? Tô brincando. Falou-se que a naturalidade com que eu funcionava em relação ao sexo era muito bacana (talvez tenha sido algo assim), porque era uma coisa meio tranqüila, espontânea. Eu posso estar inventando o sentido da frase, mas acho que foi mais ou menos isso. O que importa é que eu concordo.
O sexo, a sensualidade a sexualidade, o prazer são motivações (por falta de substantivo adequado) da natureza humana. Se gostamos, pra quê tanto drama? Não. Não é isso.
O que importa é sabermos ser o que somos e estarmos à vontade para brincar, porque tudo isso é uma grande brincadeira, como as de criança, a intenção é divertir e dar prazer e não simplesmente ganhar. Ganhar é o detalhe, e aqui, todo mundo ganha... afe. Que frase podre.
Hoje estou péssima (de novo, vide instantâneos).
tati
12:30 AM
Diz:
Terça-feira, Março 14, 2006
Em homenagem ao Dia da Poesia... ninguém melhor que ele... em um dos mais belos poemas já escritos.
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
Luisa
11:54 AM
Diz:
Quinta-feira, Março 09, 2006
In my Life
(Lennon, McCartney)
There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain
All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all
But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
In my life I love you more...
* * * * *
Como a gente pode ter saudade de algo que nunca teve?
Eu mesma... morro de saudade dos Beatles.
tati
10:30 PM
Diz:
Segunda-feira, Março 06, 2006
Encontro
Eles tinham um pacto. Ficariam juntos e se amariam até o fim de suas vidas. Não, o pacto não era bem esse. Eles se amariam para sempre, mas só ficariam juntos até quando desse. Você sabe, até quando rolasse. Chame de química, paixão, entusiasmo, como quiser. Não era bem isso que interessava a eles. O amor era algo tão natural, que nem mesmo precisava ser pensado; estava subtendido, implicitamente partilhado. Assim como era natural e tão simples que estivessem juntos. Como dois amigos de infância que brincam horas um com outro, sem se dar conta da amizade construída naqueles pequenos gestos. Portanto, seria assim: ninguém precisaria dizer nada e suas vidas já estariam entrelaçadas por todo o sempre - período tão curto para um simples mortal, é verdade -, mesmo que separados. Sim, eles sabiam que não poderiam manter a magia por tantos anos além. Eventualmente teriam de casar, ter filhos e tudo o mais. Mas ainda levava tempo para isso. Até lá outras tantas coisas ainda teriam pra viver. E nisso se sabiam não duradouros. Pressentiam o fim, assim como quem antecede uma despedida adiada. O consolo era mesmo as mãos muito próximas, sempre uma oferecendo carinho e aconchego à outra. Um dia, podiam imaginar, aquilo já não seria presente. O restante seriam memórias de um passado recente e um livro na estante com dedicatória e lembrança da tarde em que discutiam uma poesia qualquer do Quintana. Iriam embora os corujões da noite, com as salas vazias dos cinemas, e ficaria o gosto por filmes em preto e branco adquirido ao longo do tempo juntos. Iria embora o sorvete ao pôr-do-sol, mas restaria a música do Caetano que jamais deixaria de ser deles. E onde quer que estivessem, à distância qualquer que se encontrassem, nada, nada mesmo, teria deixado de existir. Ainda que outros ocupassem, em qualquer momento, o lugar que um dia fora de um deles, pouco importaria. O amor, aquele cultivado por tanto tempo, é claro, estaria transformado. Talvez, quem sabe, em algo ainda muito maior. Um sincero desejo de felicidade e uma porta aberta aos conformes do tempo. O pacto selado, o acordo tácito, a aliança ou o laço, chame do que quiser, seria para sempre mantido. Entre eles, nada mais do que um céu azul e a certeza da esperança. Como o sabor agridoce de um romance europeu sem pretensões a finais felizes.
Luisa
11:51 PM
Diz:
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Não é te ter ao meu lado...
Não é a chuva, nem o tempo
É só a fina idéia de tua simples existência
A noção inexata do teu sorriso
A vaga impressão dos teus versos
Que me faz querer ser poesia
Luisa
12:43 PM
Diz:
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
13
Cansei. Cansei de te procurar onde você não está. Cansei até mesmo de olhar onde sei que há passos seus, para não ter de admitir que os mesmos não encontram os meus. Basta de tanto esforço para buscar além de mim as forças que me fazem seguir em frente, com o mesmo ar de superioridade e o porte de quem não cai do salto. O problema é que me acostumei alto demais e já não sei se dou conta. Nem sei se quero. Há um momento em que torna-se insuportável manter a pose de quem cuida de si própria e tá tudo bem. Saiba que não está. Se não pode assumir esse risco, foda-se. Também cansei de você. Apesar de ainda não ter cansado dos seus beijos vazios. Mas, e daí? Pouco importa isso tudo, certo!? Pouco importa eu diante de seu largo ego inflamado ou qualquer rastro de orgulho ferido. No fim das contas, me deitarei sozinha para contemplar pensamentos apenas meus. Afinal, vc nem se daria ao trabalho de. E quer saber? Também cansei de andar à toa, procurar por alegrias outras do lado de fora. Me satisfazer com quaisquer sorrisos gratuitos que me sejam oferecidos em bandejas. Me fingir de completa por olhares perdidos em festas das quais nem gostaria de participar. O esforço todo é muito grande e já não tenho idade ou ilusão para me fingir de correta. Banco meus próprios erros e todas as demais tentativas. Por isso, se já cheguei até aqui é por conta própria, por escolha unicamente minha. Se você ainda faz parte dessa bagunça emocional que se pode chamar vida é porque permito que assim seja. Mas lembra de uma coisa: a qualquer momento posso esquecer de que estou cansada demais para qualquer outro passo, e arrumo a casa.
Luisa
3:21 AM
Diz:
Terça-feira, Janeiro 10, 2006
12
É como se tudo refletisse na aparência. Ele me disse.
Um dia conversamos bastante sobre nossas imagens e nos percebemos muito bem, um em relação ao outro. A forma sincera e fluida com que saíam nossas palavras nos teclados de um chat nos permitiam pensar muito sobre o que éramos e, principalmente, como éramos. Os elogios rompiam justificados, como um conto, uma estória sem pressa, uma conversa num café, com alguém de longas datas.
Esse texto todo, intercalado de surpresas e exclamações divertidas só foi possível pela nossa trajetória, pela minha tolerância, pela enorme briga que tivemos, por longas outras conversas e, muito importante isso, por aquelas que nunca tivemos. Nunca mais havíamos conversado de verdade, tranquilamente. Era como se nossos caminhos tivessem se cruzado por acaso e não por destino. Claro, caí na minha eterna questão, mas não a respondo hoje. O que importa nesse momento é o papo. No dia da minha gripe, esse dos elogios, ligamos novamente os pontos e nos prometemos mais conversas.
Mas ele me diz que é como se tudo refletisse na aparência. Pedi uma frase pra começar um texto e ganhei essa. Não sei se foi pensando ou sem pensar, só para cumprir uma possível chatice minha, mas taí. Se tudo se reflete na aparência, que aparência tenho? E como ele interpretou o que lhe disse? Porque, na minha qualidade de mulher falante, disse além do pedido, entrei no caminho do além-mar e ultrapassei a aparência do vestir, usar, sorrir. E se o que eu disse se confirma? E se estou completamente errada? E se eu nunca souber a resposta?
Independente da resposta dele, analiso o que ele me disse e busco o além-mar na superfície. Não dá, claro. Permaneço com a memória das frases bacanas, por enquanto. Na verdade, a aparência é o resultado, certo? O que vemos no espelho parte do que somos e de como somos por dentro, como nos vemos enquanto consciência e eu e essas coisas. Ele me disse: não te perguntei quem eu sou. E como eu poderia saber isso? Só sei o que percebo e isso pode nem estar certo. Mas ele nem disse se eu acertei ou errei. Odeio as não-respostas.
tati
2:01 AM
Diz:
Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
11
As coisas que nos dizem.
Todos dizemos besteiras, é fato. Em pré-relacionamentos, relacionamentos e pós, presenciamos e participamos de inúmeras frases soltas no ar de forma a nos perguntarmos em que mundo vivemos e, mais frequentemente, de que mundo nossas pessoas (a que estamos nos relacionando) vieram.
Outro dia, por exemplo, me disseram por que eu fiz isso com você?. Esse é o tipo da frase irritante, que suscita diretamente uma resposta-questão genericamente elaborada e ironicamente dita da seguinte forma: porque você é idiota?!
Hoje à noite fui visitar uma amiga. Ela havia topado com o primeiro namorado há pouco tempo e conversaram bastante. Além das amenidades naturais de um encontro casual, a carência masculina veio à tona e eis que ela ouve a seguinte pronunciação: até hoje eu me arrependo de ter terminado com você. Agora: por que, no mundo, com tantas frases pra se dizer, justo a mais imbecil surge da boca desse ser humano? Ela não foi tão sincera como eu - ou talvez foi ainda mais - ouviu a frase, encarou a figura e fez cara de ô!.
Vou deixar claro aqui, que já pensei e já formulei frases surreais também. Normalmente minhas frases recaem em dúvidas de pessoas paranóicas estilo personagens como Bridget Jones e suas variações. Mas me justifico: já que poucas vezes consigo compreender parcelas dos jogos de sedução - em que nunca sou vencedora de coisa nenhuma e sempre não entendo porque se joga tanto se o mais legal é quando dá empate - desisto de ficar tentando interpretar as vírgulas e entonações e pergunto logo com cara de besta...você quis dizer o quê com isso, mesmo? Desculpe, sou lerda de verdade com essas coisas. É mais fácil e mais direto. Certa feita e não há muito tempo, lancei a seguinte: pra você, eu sou o quê? Uma expressão de surpresa no rosto da vítima, seguida de aproximadamente duas horas de conversa. Dessa vez, funcionou.
Sou a favor de frases como essa minha. Não fazem mal, nos libertam das dúvidas atrozes e deixam as vítimas mais inseguras, caso elas não saibam como responder. Mas, se elas não sabem responder, é porque elas não pararam para pensar nisso, no caso, na pessoa, no réu inquiridor. E, convenhamos, por que motivo a vítima não pensaria no réu, se ambos estão envolvidos no mesmo crime?
tati
2:35 AM
Diz:
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
10
Sexo e a Cidade
Eu não deveria começar o texto assim. O título já é da série e o primeiro episódio carrega também o nome. Quatro mulheres solteiras, inteligentes, independentes e lindas, nos trinta anos vivem as desventuras da vida moderna em Manhatan, Nova Iorque. A série é baseada no livro homônimo de Candance Bushnell, ex-escritora de uma coluna num jornal nova-iorquino. São vinte e cinco crônicas da vida da cidade com pitadas de sexo e comportamento de quem ali vive.
Não poderia ser diferente, o sucesso é absoluto e a série já está na sexta temporada. Quatro mulheres, carismáticas: a advogada inteligente e sarcástica, a romântica e tímida, a jornalista mais equilibrada e narradora da série e a mais atirada e promotora de eventos. Mas o sucesso não decorre dos estereótipos. As mulheres vivem situações cotidianas do universo feminino de qualquer lugar do mundo, na faixa etária dos vinte aos cinquenta anos. Relacionamentos rápidos, fugazes, longos, românticos, intensos, rasos, casos, namoros, casamentos, filhos, amizade. As quatro mulheres de Manhatan, são quaisquer outras do planeta, pelo menos da faixa ocidental.
Para o De4, a série cai muito bem. Somos mais que duas e menos que quatro, na maioria das vezes. Candance Bushnell criou, juntamente com Helen Fielding e Marian Keyes, para citar apenas nossas contemporâneas mais famosas, uma quantidade enorme de mulheres que se expressam, falam abertamente sobre si mesmas e seus encantos, desencantos e o que mais for pauta. No Brasil há outros expoentes: Ailin Aleixo, Martha Medeiros, Tatiane Bernardi, as meninas do Banheiro Feminino, 02 Neurônio, Grelo Falante, Milly Lacombe e outras, muitas outras que injustamente esqueço ou infelizmente desconheço.
Sabemos claro, que a expressão feminina não surge de nossos anos noventa. Lembremos de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Katherine Mansfield. Essas três me vêm à mente agora. As três são da mesma geração - por dizer, intelectualmente - e seguem a mesma linha. São intimistas, profundas e intensas, retiram as necessidades de expressão de suas entranhas, do inconformismo, fogem do cerco machista de suas sociedades e se escarnam, para se descobrirem. Me faltam mais conceitos e palavras para elas, nunca as alcançarei. Falta o conhecimento das outras, tão incríveis Florbela Espanca, e a poetisa erótica que me faltou à memória seu nome, tantas, tantas mulheres que nos ensinaram a sermos nós mesmas.
O nosso humilde blog inicia carreira em tempos promissores de divulgação da informação, com o cuidado de acrescentar, ao menos, risos e sorrisos, ou pensamentos nas cabeças de nossos mais íntimos e amigos leitores, conhecidos ou não. Esse texto talvez servisse de ótima abertura, mas só apareceu na minha cabeça agora. Paciência.
tati
12:17 AM
Diz:
Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
9
Seres Encantados
Mulher é chata e não vou negar que eu seja porque sou mesmo. Por isso adoro as amizades masculinas; é um outro jeito, um outro estilo de encarar as coisas. Me equilibra na medida que me falta. Homens tendem a ser desprendidos de algumas amarras e nos acrescentam sempre ótimos novos pontos de vista em relação a tudo quanto já concebemos como certo. São eles, afinal, que fazem nos expandirmos mais. Mas, que fique bem claro: não troco minhas AMIGAS por nada. O difícil é arranjar outras que me provoquem o mesmo riso solto, que arranquem tanto de mim e me façam dar o mesmo em troca. Tive sorte de encontrar tão cedo as que já tenho comigo. São companheiras de jornadas, sejam em sonhos compartilhados ou nas experiências vividas. E é raro encontrar com quem eu me sinta tão à vontade e me divirta tanto quanto com algumas delas.
Há dois dias revi três, após duas semanas de ausência. As brincadeiras, as gargalhadas, nossas besteiras. É bom se dar conta, vez por outra, de quão fantástico é este laço que nos envolve. E triste é pensar que algumas pessoas simplesmente não têm isso. Não foram boas o bastante consigo mesmas pare se permitir o encanto da amizade; se dar de presente um amigo ou se colocar nesse lugar de ser amigo de alguém. Solitário não é aquele que está desacompanhado, que não tem namorado, que nunca se casou ou que lhe agrada momentos de estar só: é, muito mais, aquele que não tem amigos. Quem não tem com quem jogar conversa fora ao telefone, quem não troca textos por e-mail ao lembrar do outro, quem não tem com quem dividir um sorvete numa tarde quente ou o café e as idéias num canto qualquer, sem prazos e horários a serem cumpridos.
Os amigos são aqueles que nos lembram do melhor da vida, que não nos deixam esquecer do que mais gostamos e nos forçam a ser pessoas melhores. Sem eles, não deixaríamos a marca que todo ser-humano deveria deixar ao partir. Pois é através destes mesmos amigos que a nossa existência toma sentido. São esses personagens maravilhosos que compõem o nosso enredo, e junto com eles traçamos o nosso roteiro. O roteiro do filme que escolhemos produzir, com direito a trilha sonora e tudo o mais. Afinal, toda boa música pontua boas amizades. E de que mais nós precisamos na vida? Um filme, uma música, um livro, um amigo, um sofá ou uma rede e bem pouco mais que isso. Nada é tão eterno quanto tornar-se lembrança na memória de alguém.
Luisa
4:48 PM
Diz:
Terça-feira, Novembro 29, 2005
8
Apenas Esboço
Sou apenas esboço do que eu queria ser. Tenho pra mim que sempre seremos assim enquanto insistirmos em pensar no que queríamos ou queremos ser um dia. E se criamos sonhos e planos para nós, como não criaríamos para aqueles que estão conosco?
Essa idéia é a que mais se repete, das expectativas. Mas, mais além. Ao criarmos expectativas, inventamos a tal pessoa que queremos para nós, para a pessoa que criamos em nós. Esquecemos que não somos a pessoa que criamos em nós e, muito menos ainda, a pessoa que criamos para, nunca assim será.
É uma relação egoísta onde a única certeza é a da queda. Um dia, se descortina tudo e vemos que aquela pessoa é outra, muito diversa do que esperamos para ela. E não adianta dizer que não criamos expectativas. É inerente. A idéia de não criar expectativas é tão falsa quanto a frase 'só farei o que você quiser'. E chega de falar de expectativas, já tomaram muito tempo e espaço daqui.
tati
9:47 AM
Diz:
Quarta-feira, Novembro 23, 2005
7
Vejo o mundo pela janela. Sinto-me prisioneira nesta sala pouco iluminada, onde a temperatura é sempre ditada pelo aparelho de ar condicionado barulhento.
Lá fora a natureza triunfa; poderosa, sensual, provocante, sedutora. O azul do céu desafia meus olhos míopes e me fazem acreditar que o amor é possível. Não somente o amor romântico, aquele em que depositamos toda a nossa felicidade, e quando este não corresponde às nossas expectativas, nos transformamos em seres frustrados e corremos para a terapia, na esperança de resolvermos todas as nossas mazelas.
Lígia
11:01 AM
Diz:
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De 4 cabeças pensantes, palavras cortantes, desejos ardentes e demais variantes.
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